Photo 28 Jul 2 notes  Hoje não vou escrever nada sobre mim; vim só aqui fazer um pedido a todos, independente da crença;  Atravéz desse tumblr uma pessoa recentemente entrou em contato comigo, algumas entram mas nada até agora parecido com esse caso da Eliana; 
 Eliana é mãe da pequena Isabela, a guriazinha da foto, tem apenas UM ANO E DOIS MESES, e já faz parte da fila de transplante de fígado, Isabela Oliveira do Espírito Santo é o nome todo dela; ela nasceu com um problema chamado Atresia das Vias Biliares, e para ficar curada é necessário o transplante. Tentou uma correção aos dois meses de idade mas mesmo assim precisará do transplante.
Perguntei a Eliana, mãe da Isa o que era isso, como funcionava ou não funcionava esse problema e a definição foi:  Atresia das vias biliares é a ausência da vesicula biliar, ou seja, sem a vesicula, o figado não tem como liberar a bile, e fica doente. a bile fica na corrente sanguinea e o figado sem trabalhar, perde a função. Na verdade escrevi isso para terem ideia de quem falo e por que falo; CHEGOU A VEZ DELA, ela fará o transplante, pelo que entendi em até 15 dias; Por isso, OREM pela Isabela e por tua familia. Ela receberá um pedaço do fígado a Eliana, sua mãe, por isso orem pelas duas e por toda a equipe que vai atuar nessas vidas, que tudo saia conforme o planejado. O Transplante será no Sirio Libanes  Obrigado desde já a todos e a Eliana por dividir essa história. 


Deixo aqui um link da TRANSPÁTICA com definições mais detalhadas sobre o problema, as causas, sintomas e afins:http://www.transpatica.org.br/recursos/outras-doencas-hepaticas/54-atresia-de-vias-biliares.html 

 Hoje não vou escrever nada sobre mim; vim só aqui fazer um pedido a todos, independente da crença; 
 Atravéz desse tumblr uma pessoa recentemente entrou em contato comigo, algumas entram mas nada até agora parecido com esse caso da Eliana; 

 Eliana é mãe da pequena Isabela, a guriazinha da foto, tem apenas UM ANO E DOIS MESES, e já faz parte da fila de transplante de fígado, Isabela Oliveira do Espírito Santo é o nome todo dela; ela nasceu com um problema chamado Atresia das Vias Biliares, e para ficar curada é necessário o transplante. Tentou uma correção aos dois meses de idade mas mesmo assim precisará do transplante.

Perguntei a Eliana, mãe da Isa o que era isso, como funcionava ou não funcionava esse problema e a definição foi: 
 Atresia das vias biliares é a ausência da vesicula biliar, ou seja, sem a vesicula, o figado não tem como liberar a bile, e fica doente. a bile fica na corrente sanguinea e o figado sem trabalhar, perde a função. 

Na verdade escrevi isso para terem ideia de quem falo e por que falo; CHEGOU A VEZ DELA, ela fará o transplante, pelo que entendi em até 15 dias; Por isso, OREM pela Isabela e por tua familia. Ela receberá um pedaço do fígado a Eliana, sua mãe, por isso orem pelas duas e por toda a equipe que vai atuar nessas vidas, que tudo saia conforme o planejado. O Transplante será no Sirio Libanes
  Obrigado desde já a todos e a Eliana por dividir essa história. 

Deixo aqui um link da TRANSPÁTICA com definições mais detalhadas sobre o problema, as causas, sintomas e afins:
http://www.transpatica.org.br/recursos/outras-doencas-hepaticas/54-atresia-de-vias-biliares.html 

Video 11 Jul
Text 11 Jul ALTA… (pelo menos a 1ª de muitas)

Voltei pra casa…foi ótimo, alguns dias que me deram uma bela de uma animada; Colocarei uma foto só, não vou expor ninguém que não quer aparecer; 

Aqui os filhos de minha prima Carla e meu primo Cris; Lucas e Tiago. Vieram fazer uma visita de boas vintas pra mim; amo muito essa familia.

 

Luquinhas é o da esquerda, no meio MUN-HA (quem não conhece veja no google) e o Tico é o da direita. 

 Bem, esse post é só para voltar a ativa depois do baque que foi o falecimento de meu amigo; também dizer que voltar para casa foi ótimo, pois tomei banho no meu chuveiro e dormir na minha cama e tinha visita toda hora, sem falar que era impossível dormir sozinho. Amo muito todos que vieram me ver. 

Nota: Vou usar um texto de um filme que me deu ânimo esses tempos:

 ”… O mundo não é um mar de rosas. É um lugar ruim e asqueroso… e não me importo quão durão você é… ele te deixará de joelhos e te manterá assim se permitir. Nem você, nem eu, nem ninguém baterá tão forte quanto a vida. Mas isso não se trata de quão forte pode bater. Se trata de quão forte pode ser atingido… e continuar seguindo em frente. Quanto você pode receber e continuar seguindo em frente. É ASSIM QUE A VITÓRIA É CONQUISTADA!…” 

                              Rocky Balboa

Estou feliz, muito feliz; minha vida não está um mar de rosas, bem longe disso, mas estou aprendendo o quanto posso ser atingido e estou seguinto em frente.

Text 2 Jun ALDO CAVAGNOLLI ✫16.01.1964 - † 01.06.2011

Hoje não colocarei o texto que escrevi, ontem a noite faleceu um amigo de nosso grupo de transplante, o Aldo;

Vá em paz meu amigo, que Deus te receba de braços abertos, foi um grande guerreiro, lutou com todas as forças até o fim; obrigado por ter dividido um pouco de tua história comigo. Que dificil…

Meus sentimentos a Denise, Talita e o Léo;

Text 29 May Qual é o tamanho da tua perna?

Algumas coisas no hospital incomodam, a maioria é tolerável; mas uma coisa precisa ser dita, a pessoa que projeta camas de hospitais com certeza é o MARCINEIRO dos sete anões. Será que as pessoas esquecem que no Brasil existem varias pessoas de estaturas diferentes? Tenho 1,90m a cama 1,10m? 1,20 talvez…rs, o Frodo dormiu nele sem dúvida.

Minhas pernas ficavam ou encolhidas ou por cima da soleira da cama, espero que o termo esteja certo; não era nem um pouco confortável. Eis que um dia, um amigo meu, também transplantado conhecido por Alemão, o Will veio me visitar e simplesmente TIROU a soleira da cama me dando o maior conforto da história, simplesmente ele disse: Oh Léo, tira isso cara! E vupt, tirou.

Dá para ver na foto como sobrou perna não é mesmo?

Eu ainda vivia na expectativa de ganhar alta, por que na minha cabeça ganhar alta significava voltar a viver normalmente; dentro do hospital emagreci 24 kg, fiquei mais feio que de costume, hahahaha.

Uma das partes boas que passei no hospital foi o contato com os transplantados; antes de fazer a cirurgia eles contarem como foi o tempo deles de espera e como foi o pós transplante. Alguns tive um laço forte, alguns são especiais pra mim sem eles saberem, alguns que estavam na fila conseguiram ficar bem e sumiram, ainda bem, saíram da vida de hospital o que é ótimo.

Infelizmente algumas pessoas que eu tive por perto durante o tempo de hospital desapareceram, algumas sem eu entender e algumas eu entendendo, a questão é que algumas delas eu finto falta. O dia da alta, no caso a primeira alta estava próximo, eu já não agüentava mais a comida do hospital que é HORROROSA e graças a Deus eu tive o privilégio que poucos tem de ter uma mãe que ia todos os dias lá, ou ela ou alguém ia, normalmente era a guria que eu namorava que ia quando minha mãe não ia, na verdade ela ia bastante durante a noite, ela tinha autorização para entrar fora do horário de visita. Então por muitas vezes eu não precisei comer um prato delicioso como esse:

Acredite, aquilo é uma banana. Hahahahahha

Pouco antes de eu ir para casa tinha uma pessoa que ia me visitar sempre para conversar um pouco, saber se eu estava vivo, se minha cabeça já tinha pifado ou não. Era a Karina, gostava bastante dela, infelizmente ela não trabalha mais no HC mas era uma figura;

e antes da alta fiz amizade com o Wagner e com o Luis Claudio, nós que não dormíamos no corredor, Luis Claudio não tenho contato nem com a esposa dele Tulla mas tenho essa foto com o Wagner aqui, fazendo tudo o que não podíamos, Wagner a noite no meu quarto tomando uma COCA e eu comendo PASSATEMPO…hauhauahahua. Bem, por hoje é só. Obrigado mais uma vez e na próxima colocarei as fotos da primeira alta.

Nota: SEJA PACIENTE…mesmo quando o mundo parecer conspirar contra você.

Text 21 May 2 notes Você não está sozinho

 O tempo não passa, comecei a desistir. Eu tive amigos noturnos como o corredor e o oxigênio o oxigênio não para quieto a noite toda e o corredor, nos momentos em que eu tirava o cateter de oxigênio e ia dar uma caminhada pelo corredor, só ele estava lá. Tinha que me esforçar ate para caminhar, era um tanto quanto incomodo. Os dias passavam, se não me engano, pois como já disse aqui algumas vezes, em questão a precisão não tenho muito dela, eu fiquei internado antes de poder ir pra casa pela primeira vez 20 dias, poucos mais ou poucos menos, mas foi bem próximo disso, acredito q 22, então esses primeiros dias foram em especial ruim por saber que uma pessoa que faz transplante sai em aproximadamente 15 dias no máximo.

  Não era sempre que alguém estava comigo, não era sempre que eu estava com vontade de conversar com alguém, provável que a pessoa que mais me ouviu esses dias foi Jesus, isso aquele mesmo conhecido por Cristo, ouviu todas as minhas reclamações, minhas duvidas, minha maneira grossa e rabugenta de agir. Com certeza que se ele quisesse teria vindo ate aqui em carne de novo só para me dar um tapa na cara, xinguei Ele com toda a força que tinha, jurei que seria o maior inimigo de Deus vivo nessa Terra; eram essas as noites que eu mais sentia dor e vazio, foram as noites que mais sofri, porém foram as noite que Ele me pegou no colo. Eu não criei esse tumblr para falar de religião do que eu creio ou deixo de crer, mas digo algo a todos vocês que derem uma lida nisso, a pessoa que passa pelo que eu passei, ou vê tudo o que eu vi aqui dentro e tem a oportunidade de relatar isso ao mundo, dizer que não acredita ou que não existe um Deus, ou simplesmente não citar Teu nome é um hipócrita.

 Tenho conhecido pessoas novas desde que comecei a escrever e feito novas amizades, um desses é ateu, não vou contra ele, respeito, as vezes dou uma provocada pois ele foi alguém que conheceu a Jesus, mas vejo como funciona a cabeça de alguém que não crê mais que tem um Deus que comanda tudo isso. Estranho dizer isso, mas eu podia sentir alguém tocando em meu braço quando eu sentia dores, podia sentir um abraço quando eu sentava na cama pra chorar de madrugada, as vezes ate ouvia um: Calma, eu estou aqui. Eu nunca duvidei que sairia daqui, para não falar que nunca teve uma situação mas ainda não chegamos nela. Mas aprendi que eu não estive sozinho nenhuma vez que estive internado e não estou agora. Irônico ou não, esse tópico estou escrevendo dentro do hospital, hoje é dia 20 de maio de 2011, estou internado e também sei que não estou sozinho, hoje é sábado, queria estar em casa, mas que seja, para tudo nessa vida existe um “PRA QUE?” prefiro ver o pra que? do que o por que, afinal de contas para tudo que passamos tem um significado, um aprendizado, sei que já estou quase pegando o meu PhD aqui dentro, li muito sobre os problemas que tive, vejo meus exames, é no mínimo engraçado entender o que estão falando hoje em dia, mas voltando ao passado. Falei um pouco de Deus para ilustrar o quanto fiquei e ficava sozinho por aqui, mesmo nas vezes que vinha alguém para dormir era um sentimento forte de solidão, afinal de contas eu que estava(ou) passando por tudo aquilo e não o acompanhante, eu que convivia(o) com o problema, com as dificuldades que trouxeram ao meu corpo e a minha mente; Dra Luciana, não sei se vão lembrar mas já falei dela, a psicóloga, ela vinha me visitar de vez em quando para tentar tirar minha cabeça daqui, me trazer um pouco de calma. Como dizem: com o tempo acostuma. Sinto muito, isso é uma mentira deslavada, com o tempo você pode acostumar com o jeito de ser de uma pessoa, com u lugar novo, com um tipo de comida x QUE NÃO SEJA A DO HOSPITAL, porém, se acostumar com o leito de um hospital, não isso é impossível de acostumar.

Outro detalhe, no tópico anterior me referia a uma águia, a ter liberdade, só esqueci de mencionar que estamos em São Paulo e aqui do décimo andar, acredite é cinza, por mais bonito que esta o dia, como essa cidade é imunda. Quanta poluição mas isso não me impede até hoje de querer sair voando quando estou trancafiado aqui. Foi um período estranho, e para ser sincero ainda não entendi o PRA QUE de eu estar aqui, ainda não entendi tudo isso que passei, mas passei e hoje estou vivo, se falar que é 100% estou mentindo, mas estou vivo e estou a cada dia que passa melhorando, tenho meus altos e baixos. Por exemplo agora vim pra cá passar por mais um procedimento cirúrgico; me sinto como o e; me sinto como o homem bicentenário, filme com o Robin Willians, sempre precisando de ajustes. Assim como ele, CÁ ESTOU.

Por mais que a vontade não pare de vir, eu ainda não desisti de mim. Ainda não desisti de enfrentar toda essa guerra contra eu mesmo, se eu falar que é extremamente impossível talvez não faça sentido algum para você, mas não espero que entenda tudo o que escrevo aqui ou tudo o que tento passar aqui, estou fazendo da melhor maneira que posso. Cansa estar no meu lugar, cansa ser eu, cansa muitas e muuuuuuitas vezes por semana pensar: QUANDO ISSO VAI ACABAR, sabendo que a resposta é só no dia que eu morrer, a não ser que ate lá a medicina de uns 12 passos de gigante. Esta disposto(a) a viver isso?

 Obrigado mais uma vez pelo SACO de ler esse pedaço da minha vida.

NOTA: Você não esta sozinho, por mais que queira e/ou não acredite, mas existe alguém ao teu lado pra cuidar de ti. Não esqueça que tua família te ama, pelo menos UMA PARTE DELA, não deixe de acreditar que seus amigos também e que muitas vezes aqueles que você crê que são teus melhores amigos são os primeiros a sair do teu navio quando ele começar a afundar. E como no meu caso, alguns que NUNCA ESPEREI foram os que estiveram mais tempo ao meu lado. Esteja aberto a opiniões e crenças mesmo que isso vá contra tudo o que você aprendeu ser certo.

Text 12 May O TEMPO

 O tempo passa e nada parecia mudar, não é fácil se sentir um prisioneiro a alguns andares da saída; Todos os dias era a mesma coisa e começou a pesar, a ficar cansativo, comecei a sentir raiva, ficar estressado; não é nenhum pouco confortável ficar em uma cama na mesma posição durante meses ou com pequeno acesso a outras áreas do hospital.

Claro que com o passar do tempo começamos a perceber detalhes que não vemos; uma das primeiras noites que estive no quarto minha mãe esteve lá e perguntou o que estava de diferente pra mim. Na verdade não tenho muito mais certeza se foi ela ou um dos meus irmãos mas acredite, o cheiro era diferente, o vento, os detalhes de TUDO, o que sentia, o toque das pessoas, ficar vivo é ótimo, me achei uma aberração logo de cara, parecia que os sentidos estavam mais aguçados, talvez por saber que tinha sobrevivido a algo que não pensei que poderia ter ficado lá na mesa de cirurgia. Tudo eu estava sentindo com mais intensidade.

Interessante que todos os dias eu ia para a janela e pensava em algumas pessoas que fizeram parte de minha vida e algumas que eu nunca fiz parte da vida delas. Sei que é estranho pensar isso, mas era comum pra mim; pensava bastante em pessoas que deveriam fazer parte da minha vida e nunca foram ou estavam realmente presente. Alguns amigos que não apareceram no hospital, no final das contas vi que as pessoas que eu menos esperei foram as que apareceram com mais freqüência.

Bem, vou voltar pra parte importante da coisa toda. Não temos muito o que fazer quando estamos em um quarto de hospital por dias e mais dias a não ser pensar em quando aqueles dias vão acabar, óbvio que cada um cada um. No meu caso era isso que acontecia. Ficava esperando o dia em que me chamariam para dar alta. Demorou um pouco. Não da ânimo para fazer caminhada todo dia nem para comer nem nada, difícil explicar. Ficávamos no 10 andar, todas as vezes que olhava pela janela que tem no quarto  sonhava em virar uma águia ou qualquer ave do tipo para poder fugir voando para não ter que ficar ali.

 

NOTA: Cada um cada um, se você está lendo isso e está em uma fila de transplante não se deixe abalar com o que digo, eu sou um caso além do normal. Fiquei muito tempo internado, prazo normal de recuperação é de 12 dias para ir para casa, eu no total deu muitos meses de recuperação, inda e vindas do hospital ok? Aqui é um relato de um transplantado que teve a sorte de dar muita coisa errada, talvez por que eu precisava aprender sobre a vida, aprender muita coisa. Se você não é transplantado AGRADEÇA A DEUS.


Text 5 May 1 note Uma ilustre visita

Começou a ficar chato e cansativo, a Estela ia me ver sempre que possível no começo, me ajudava bastante, dava atenção e tudo mais, isso lógico que no começo, não esperava que eu fosse ficar tanto lá imagino eu, minha mãe também estava quase todos os dias.

Não tenho o que reclamar da atenção que elas me deram por tantos dias e noites, só a agradecer, foram de fato dois anjos que estiveram ali; impossível entender os caminhos de Deus para nossa vida, por que Ele coloca pessoa x ou y para cada fase que passamos. No começo o quarto estava sempre cheio, acredito que as pessoas queriam ver que eu estava vivo. É interessante de fato, alguém que trocou de órgão não é algo que você encontra todo dia não é mesmo? A cicatriz era um troféu, a marca de um verdadeiro guerreiro que ficou vivo depois de uma grande batalha. Fazia questão de expor a todos que iam me visitar, na verdade todo mundo queria ver e quando eu mostrava a cara era sempre a mesma:


Mas fazia parte do meu dia aquilo, até eu quando vi fiz essa cara; passei a me conhecer com o fígado 2, o reserva que passou a ser TITULAR. Era estranho a principio pensar: “Como pode um ser humano viver com um órgão de outro?”, tinha umas duvidas absurdas em minha cabeça, como por exemplo: “Será que não vai cair?” ahahahaha, sei, terrível essa não é? Eu demorei meses pra dormir de lado achando que o fígado novo poderia simplesmente cair fora da barriga. Que horror. Meus irmãos me ligavam toda semana para ouvirem as novidades do tipo: “- Não sinto minha barriga.”, “- Está um saco todo esse tempo no hospital.”, “- Acho que vou morar aqui.”, “- Sim tem outro cara no quarto.” E por aí vai, essas eram minhas noticias, meus assuntos. Eu tinha de fazer fisioterapia para voltar a andar direito, a respirar direito, infelizmente não lembro o nome da fisioterapeuta que esteve lá no começo comigo, mas ela era de São Bernardo do Campo, vizinha minha quase, conversávamos de como estava a vida FORA do hospital,

e as vezes era o Marquinhos, que não vou falar dele agora por que ele tem um papel importante demais para simplesmente citá-lo aqui.

Recebi então uma ilustre visita, na verdade três, veio meu primo Pedro de Ilhéus-BA, meu irmão/ amigo Renato Sotto e a Lili fazer uma visitinha. Eu não podia rir muito, doía, o Renato é um cara extremamente engraçado, fora do padrão do mundo, tipo o cara mais engraçado da Terra, pedi para ele pegar leve e evitar qualquer tipo de piada por que rir no momento não era algo que eu gostaria de fazer por causa da dor e preocupação com os pontos.

Sotto e Pedro

Apoiando só para tirar foto

o prêmio PAPAGAIO DO ANO

Bem depois disso tudo ele foi embora. Da pra imaginar se eu ri ou não né?

Os dias eram bons, ainda mais quando o horário de visita chegava, as noites eram boas quando alguém passava comigo no hospital agora as noites em que eu ficava sozinho eram simplesmente horríveis, briguei muito com Deus, briguei muito comigo mesmo, até hoje eu ainda tenho problemas para me perdoar de muito o que fiz. Mas estou aprendendo. Por enquanto é isso.

Nota: Dê valor ao tempo que tem com tua família, acredite em mim por que falo isso por experiência própria, ficar longe dos que amamos por falta de opção é terrível. Gaste mais tempo com teus pais, filhos, avós, irmãos, amigos; gaste tempo não, investe tempo neles, você com certeza vai colher ótimos resultados.  

Video 1 May

Bem, tenho que no mínimo agradecer por isso…Obrigado mesmo Jesus.

Text 30 Apr 2 notes SAINDO DA UTI

O interessante é que na UTI o tempo não passa, eu tinha vontade de água-de-coco; muita, tinha certeza que só ela mataria minha sede e perguntei se alguma das auxiliares ou se a enfermeira desceria para tomar café e se podia trazer uma pra mim, como não sei se é permitido não colocarei o nome, mas uma pessoa me trouxe a água-de-coco, sem duvida foi o melhor momento da UTI fora a alta. Todo santo dia perguntava aos médicos: “Quando vou para o quarto?”

Eu não agüentava mais estar lá e em uma noite recebi uma visita de uma pessoa, ela pode entrar por que é da área e veio me ver, conversar um pouco e me trazer um beijo enviado por outra pessoa. Meu coração aqueceu, chorei aquela noite. Durante muito tempo, os barulhos da UTI não me incomodaram, não chorava de dor ou raiva nem nada do tipo, chorava de alegria e de me sentir incapaz de não retribuir o que recebi.

Bem, minha alta chegaria quando eu conseguisse me mover direito, então comecei a me esforçar para andar, nas primeiras vezes dava tontura, era horrível, sem falar na falta de ar. Quando finalmente estava caminhando meu oxigênio estava caindo, agora esse era o motivo de estar lá dentro ainda.

Melhorou o suficiente para ganhar alta, o normal de uma pessoa como você é de 90 pra cima, a minha saturação bateu a 63, sai da UTI com 78 se não me engano. Eles avisaram cedo, “Leonardo, você vai subir.”

A emoção que senti ao sair da UTI, mesmo que de cadeira de rodas foi quase a mesma que senti quando voltei pra casa pela primeira vez. Era impossível conter o choro, a alegria, o alivio, pra mim aquilo significava: “Cara, esta acabando, só mais uns dias.” Mal sabia eu, mas por não saber fiquei muito feliz. Cheguei na Enfermaria do Fígado que fica no 10° andar no hospital de clinicas e as mulheres foram mega receptivas comigo, reconheci a Adriana e a Marlene só, mas mesmo assim eu estava feliz, fui ao banheiro sozinho, meu Deus que alegria, PUDE TOMAR BANHO, gente ninguém merece banho de UTI na vida; fiquei uns vinte minutos  no chuveiro.

Engraçado como coisas que fazemos normalmente se tornam mágicas quando somos obrigados a não fazer. Como um simples banho.

Bem, primeiro momento foi lindo, o quarto era melhor, porém fiquei dez dias isolado onde o povo só podia me ver com luvas, máscaras muitas vezes e umas roupas higienizadas

e nesse período  uma pessoa podia dormir comigo, minha mãe ou a Estela, depois disso eu dividia com um rapaz e podia receber visitas por mais tempo e mais visitar também.

Primeira semana foi o paraíso, porém tive a certeza de que nada aconteceria rápido como eu havia imaginado.

Acredite se quiser, esse sou eu FELIZ.

Segue aqui o nome dos anjos que trabalham na enfermaria do fígado (somente as enfermeiras e auxiliares):

  • ·     Marlene Oliveira Duarte
  • ·     Dulcineia Vigeta Lima
  • ·     Angela Fumiko Kamimura
  • ·     Regina Estela da Silva Batista
  • ·     Rita de Cássia Fonseca
  • ·     Marlene A.B. de Oliveira
  • ·     Tamara de Araujo A. Braga
  • ·     Vera Luiza Santana
  • ·     Willians Douglas (da minha época)
  • ·     Adriana Jocely CasaLi Balan
  • ·     Cinele Silva Garcia G. Barros
  • ·     Creusa Maria Pereira
  • ·     Liliane Aparecida P. de Souza
  • ·     Mara Yeme Arakaki
  • ·     Maria Luiza de Lima
  • ·     Miriam Souto Souza
  • ·     Priscilla Vieira Labadessa
  • ·     Rosiney Viturina Lopes
  • ·     Jezio Vieira de Carvalho
  • ·     Daniela Cassia R. Tavares
  • ·     Elia Maria Teixeira
  • ·     Eva Silva Araujo
  • ·     Maria Joana Vicente
  • ·     Marilu Aparecida da Silva
  • ·     Rosemeire Camargo Torres
  • ·     Maria das Merces Machado
  • ·     Hélio José Leme

 

Nota:

Hoje simplesmente vou deixar um link da

“Rede Voluntária Feminina de Combate ao Câncer Mauá”

De uma passada no site, conheça o grupo, faça uma visita ou até mesmo faça parte desse grupo, só precisa ter um tiquinho de amor nesse teu coração. Se mora em Mauá ou região do abc, entre em contato.

http://www.redefemininamaua.org.br

E se não mora em Mauá procure uma rede dessas em tua cidade, as vezes está debaixo do teu nariz.

Video 25 Apr
Photo 25 Apr 1 note ACORDEI…isso mesmo eu acordei, pensei em duas coisas quando abri os olhos. 
1ª ACABOU A CIRURGIA, DEU CERTO?
Olhei o curativo na barriga e então pensei:
2ª MEU DEUS, EU PODERIA TER MORRIDO.
Só daí então eu pensei na possibilidade de que o transplante poderia ter dado errado, mas não, eu acordei, estava vivo, não estava entubado, a cirurgia tinha sido um sucesso graças a Deus e aos médicos e a todos que participaram. 
Daí veio um médico falar comigo, se não me engano era o Dr.Bruno, mas também não tenho certeza das coisas desse dia que acordei, lembro da minha mãe bem embaçada e muita gente na sala e muito barulho. 
Tudo apagou…….
 
 
Acordei no dia seguinte, estava assustado; minhas pernas estavam inchadas, estava deitado e não conseguia me mexer muito. Deitado em um leito de UTI, olhei para o lado esquerdo e tinha um homem dormindo, aspecto de índio, Délcio era o nome dele na minha direita tinham duas pessoas e logo depois chegou mais uma senhora entubada e apagada. Ficou dias daquela maneira. 
Bem, tinham auxiliares de enfermagem e uma ou duas enfermeiras, não lembro ao certo também e médicos entrando e saindo, estava em uma UTI separada da UTI normal, era exclusiva para as pessoas com problemas no fígado. Transplantados e futuros transplantados. 
Demorou até meus olhos ficarem 100%, tinha janelas no quarto todo, era bem iluminado, muitas máquinas, MUITO barulho e muito remédio e injeções, toda hora alguém vinha com remédio e injeção. 
Não esperei, ou pelo menos NUNCA passou pela minha cabeça que eu tomaria todos os remédios do mundo por dia.
Bem, a UTI é uma experiência que creio eu, ninguém quer repetir. Fiquei longos seis dias dentro dela, pra mim pareceu seis longos anos. Lá dentro não temos acesso a nada a não ser a nossa mente. Seis dias para analisar tua vida, teu comportamento, o momento que está vivendo, acredite, é de ficar louco com facilidade; pra mim foi difícil afinal de contas não levei uma vida certa, machuquei muita gente, errei muito então foi uma tortura ter tempo pra pensar no lixo que fui e decidir o que eu seria ao sair dali.
Bem, pontos positivos, conhecer alguns dos profissionais dali de dentro, ver o progresso de alguns dos enfermos, ver o Délcio no primeiro dia caminhando como se não tivesse acontecido nada enquanto eu só consegui dar um passo no terceiro. 
Era engraçado quando vinha uma sala de aula ver a gente e a professora que até hoje não sei o nome sempre me mostrava para as alunas, era estranho, eu de fralda de pano, aberto no meio, com oxigênio e em uma poltrona, ela vinha toda doce, era uma senhora bem senhora já com umas 15 mulheres e falava: Oi Léo, gente esse é o Leonardo, teve encefalopatia, síndrome hepato e blábláblá, passava o diagnostico todo, eu ficava feliz por que via que ela me mostrava como um sucesso e não como um doente, me mostrava como um resultado positivo em meio a tantos problemas que meu corpo teve. Mas chorei bastante lá, as noites não acabavam, os barulhos das máquinas, meu Deus. Hora do banho, de usar o “banheiro” na cama, me sentia muito incapaz de qualquer coisa, bem, a UTI é algo que não quero lembrar, não é gostoso, tomei decisões horríveis também na UTI, pedi para uma pessoa que amava ficar longe de mim. Uma grande amiga, sofri com isso; mas acabou, algumas cenas que me lembro da UTI e não vou esquecer jamais. 
Minha mãe, sempre ela né? Minha mãe entrando e chorando por que eu chorava. Tadinha. Hahahahahaha, mãe sempre mãe. Eu falava pra ela como estava ruim lá então ela levou caderno para eu desenhar e um CRIPTOGRAMA. Foi o máximo.
E outra foi a expressão do meu grande amigo Ygor Fazion quando entrou no quarto, me falaram que tinham uma surpresa pra mim então ele entrou. Eu descobri como eu estava ruim quando ele entrou e não sabia se ria ou abria a boca de espanto imagino eu.
 Ele sorriu de um jeito que na testa dele ficou escrito: MEU DEUS, QUEM ATROPELOU ELE?
Mas foi ótimo, meu eterno amigo, meu irmão. Difícil não chorar, me lembro quando ele me disse que o Elias, o Diego e ele saíram no dia que fui pra cirurgia. Como é bom poder segurar na mão de um amigo quando nos sentimos fraco, obrigado por ter ido lá.
Mas de qualquer forma, essa foi minha primeira vez na UTI…
No próximo post começarei a colocar fotos do meu tempo no hospital, por isso cuidado caso não queira ver o esqueleto e cortes. 
NOTA: Provérbios 17 : 17
Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão.
 
 
 

ACORDEI…isso mesmo eu acordei, pensei em duas coisas quando abri os olhos.

1ª ACABOU A CIRURGIA, DEU CERTO?

Olhei o curativo na barriga e então pensei:

2ª MEU DEUS, EU PODERIA TER MORRIDO.

Só daí então eu pensei na possibilidade de que o transplante poderia ter dado errado, mas não, eu acordei, estava vivo, não estava entubado, a cirurgia tinha sido um sucesso graças a Deus e aos médicos e a todos que participaram.

Daí veio um médico falar comigo, se não me engano era o Dr.Bruno, mas também não tenho certeza das coisas desse dia que acordei, lembro da minha mãe bem embaçada e muita gente na sala e muito barulho.

Tudo apagou…….

 

 

Acordei no dia seguinte, estava assustado; minhas pernas estavam inchadas, estava deitado e não conseguia me mexer muito. Deitado em um leito de UTI, olhei para o lado esquerdo e tinha um homem dormindo, aspecto de índio, Délcio era o nome dele na minha direita tinham duas pessoas e logo depois chegou mais uma senhora entubada e apagada. Ficou dias daquela maneira.

Bem, tinham auxiliares de enfermagem e uma ou duas enfermeiras, não lembro ao certo também e médicos entrando e saindo, estava em uma UTI separada da UTI normal, era exclusiva para as pessoas com problemas no fígado. Transplantados e futuros transplantados.

Demorou até meus olhos ficarem 100%, tinha janelas no quarto todo, era bem iluminado, muitas máquinas, MUITO barulho e muito remédio e injeções, toda hora alguém vinha com remédio e injeção.

Não esperei, ou pelo menos NUNCA passou pela minha cabeça que eu tomaria todos os remédios do mundo por dia.

Bem, a UTI é uma experiência que creio eu, ninguém quer repetir. Fiquei longos seis dias dentro dela, pra mim pareceu seis longos anos. Lá dentro não temos acesso a nada a não ser a nossa mente. Seis dias para analisar tua vida, teu comportamento, o momento que está vivendo, acredite, é de ficar louco com facilidade; pra mim foi difícil afinal de contas não levei uma vida certa, machuquei muita gente, errei muito então foi uma tortura ter tempo pra pensar no lixo que fui e decidir o que eu seria ao sair dali.

Bem, pontos positivos, conhecer alguns dos profissionais dali de dentro, ver o progresso de alguns dos enfermos, ver o Délcio no primeiro dia caminhando como se não tivesse acontecido nada enquanto eu só consegui dar um passo no terceiro.

Era engraçado quando vinha uma sala de aula ver a gente e a professora que até hoje não sei o nome sempre me mostrava para as alunas, era estranho, eu de fralda de pano, aberto no meio, com oxigênio e em uma poltrona, ela vinha toda doce, era uma senhora bem senhora já com umas 15 mulheres e falava: Oi Léo, gente esse é o Leonardo, teve encefalopatia, síndrome hepato e blábláblá, passava o diagnostico todo, eu ficava feliz por que via que ela me mostrava como um sucesso e não como um doente, me mostrava como um resultado positivo em meio a tantos problemas que meu corpo teve. Mas chorei bastante lá, as noites não acabavam, os barulhos das máquinas, meu Deus. Hora do banho, de usar o “banheiro” na cama, me sentia muito incapaz de qualquer coisa, bem, a UTI é algo que não quero lembrar, não é gostoso, tomei decisões horríveis também na UTI, pedi para uma pessoa que amava ficar longe de mim. Uma grande amiga, sofri com isso; mas acabou, algumas cenas que me lembro da UTI e não vou esquecer jamais.

Minha mãe, sempre ela né? Minha mãe entrando e chorando por que eu chorava. Tadinha. Hahahahahaha, mãe sempre mãe. Eu falava pra ela como estava ruim lá então ela levou caderno para eu desenhar e um CRIPTOGRAMA. Foi o máximo.

E outra foi a expressão do meu grande amigo Ygor Fazion quando entrou no quarto, me falaram que tinham uma surpresa pra mim então ele entrou. Eu descobri como eu estava ruim quando ele entrou e não sabia se ria ou abria a boca de espanto imagino eu.

 Ele sorriu de um jeito que na testa dele ficou escrito: MEU DEUS, QUEM ATROPELOU ELE?

Mas foi ótimo, meu eterno amigo, meu irmão. Difícil não chorar, me lembro quando ele me disse que o Elias, o Diego e ele saíram no dia que fui pra cirurgia. Como é bom poder segurar na mão de um amigo quando nos sentimos fraco, obrigado por ter ido lá.

Mas de qualquer forma, essa foi minha primeira vez na UTI…

No próximo post começarei a colocar fotos do meu tempo no hospital, por isso cuidado caso não queira ver o esqueleto e cortes.

NOTA: Provérbios 17 : 17

Em todo o tempo ama o amigo e para a hora da angústia nasce o irmão.

 

 

 

Text 24 Apr o dia D

Foi difícil não rir em meio ao choro de minha mãe; ela chorou, ficou ansiosa e entrou no banheiro e fechou a porta, pude ouvir a descarga, ver a luz por baixo da porta e o barulho das coisas lá dentro, fui ao meu quarto, troquei de roupa e separei algumas coisas, quando fui ao quarto da Denise (minha mãe) ela estava, de BRINCOS, TÊNIS, MEIA, CALCINHA, CAMISETA E BOLSA, só tinha esquecido a calça; tadinha, eu dei muita risada, perguntei se não faltava algo então ela ria e chorava.

 Saímos de casa por volta das 5 da manhã para chegar a tempo no HC em São Paulo, moro em Santo André e poderíamos pegar transito, sem duvida era a ultima coisa que eu queria. Estava ansioso, sabia que aquele fígado poderia não servir pra mim, pois conforme os médicos explicaram, existe a chance de você chegar e o fígado não servir para você, daí você volta pra casa e eles ligam quando chegar o próximo com o mesmo tipo de sangue. Da mesma forma que estava preocupado com o fato de o fígado não servir eu estava extremamente empolgado, minha vida ia melhorar, ia mudar, eu estava a um passo de PODER VIVER; como explicar isso? Bem, creio que só sabe isso quem passa, a poucos dias um dr. X me diz que não sobreviverei e no outro a ligação dizendo que meu fígado está ali esperando por mim. Bem, chegamos ao hospital e fui direto para o 10 andar, na enfermaria do fígado, Lá conheci alguns anjos, dentre eles a enfermeira Marlene que eu sou eterno fã e o DAVI de santos que acalmou minha mãe e a mim horrores. Passei por uma retirada de pêlos no corpo, um banho e depois um banho com iodo, então coloquei uma roupa que usei por MUUUUUUITO tempo dentro do hospital e esperei, dormi, comi, vi televisão, bem, esperei por muito tempo, também tiraram meu sangue e esperei mais um pouco, meus familiares, alguns pelo menos me ligaram e o mais engraçado é que eu esqueci que existia a chance de eu morrer na cirurgia; então eu ficava acalmando a parentada que ligava chorando, vai entender né? Eu não pensei em nenhum momento que algo poderia dar errado, o que foi ótimo, então me chamaram, coloquei aquele famoso avental “bundifora”, uma toquinha para não cair cabelo e fui pra uma sala do pensamento, esse foi o nome que eu dei pra sala, por que ela é onde ficamos antes de entrar na cirurgia, fiquei com mais duas pessoas lá, não sei o que iam fazer, mas fiquei olhando a luz e pensando que aquele fígado era meu e que em algumas horas eu já estaria novo. Ali era frio comparado a enfermaria onde eu estava, também pensava em minha mãe e em meus irmãos. Queria que eles estivessem ali naquele dia, não fazia idéia de quem estava lá fora com minha mãe e a Estela. Até que foram me buscar, nessa hora sim meu coração acelerou, mas passou e fiquei calmo ao entrar na sala de cirurgia, era tanta maquina tanta coisa para olhar, sou curioso. Também tinha um rosto conhecido lá dentro, o que era bom. Me lembro que comecei a olhar os aparelhos e a perguntar e então chegou uma mulher que foi apresentada como a pessoa que me daria a anestesia, continuei perguntando para ela daí por que o cirurgião se afastou e daí lembro que as luzes eram do mesmo tipo de luzes de dentista só que gigantescas e tinha três sobre mim. Esqueci de dizer que o quarto era absurdamente gelado, tipo muito mesmo. Então alguns auxiliares que estavam na sala começaram a me amarrar, a maca é como um crucifixo, meus braços foram amarados e o avental foi tirado, minhas pernas foram amaradas juntas e então ganhei um cobertor daqueles elétricos, daí o frio já não era mais algo que me abalava. Um dos cirurgiões voltou e disse que eu ia tomar a anestesia, que eu podia ficar tranqüilo, me lembro das palavras: “- Leonardo, fica tranqüilo que essa é a melhor anestesista do mundo, você não vai sentir a picada.” De fato, olhei ao lado, vi ela colocando a agulha e não senti nada, mas eu acho que já estava dopado por causa do ar que eu estava respirando com a máscara.

Tudo começou a ficar embaçado e a ultima imagem que lembro foi da instrumentista colocando umas tesouras e afins na mesa no pé da cama.

Para os fracos de estomago, não cliquem no link abaixo, é um transplante de figado para terem uma ideia de como funciona, só uma ideia claro. 

http://www.youtube.com/watch?v=Ia1SWSH2_mI&feature=related 

A cirurgia durou SETE horas e QUARENTA minutos e os cirurgiões que estavam presente eram:

Dr. Wellington Andraus (meu herói)

Dr:Flávio Galvão e

Dr: Carlos Eduardo

Nota: Dê real valor a quem você ama, não perca tempo, elogie, agradeça, diga EU TE AMO sem medo de errar, chore, peça perdão, não sabemos o dia de amanhã.

Perdão pela demora, minha vida está um pouco atribulada. Obrigado a todos.

Text 15 Apr Esqueci o remédio

Naquele dia saímos do hospital e lembro que minha mãe pela primeira vez na vida não falou nada. Já não chorava mais e estava com o olhar fixo no caminho, eu estava pensando nas palavras do cirurgião X acompanhadas da frase do Dr.Wellington que faria minha cirurgia caso eu sobrevivesse, por que nesse dia já comecei a considerar que existia uma chance de não ficar vivo ATÉ o transplante.

Foi um dos poucos retornos em silêncio do hospital, claro que até certo ponto em que minha mãe pergunta: “Filho, quer ir no Juca Alemão?” Gente, quem não quer ir no Juca?

 Fomos então comer coisas que eu não podia e tomar uma cerveja, depois de um tempo minha mãe confessou pra mim que me levou ao Juca aquele dia por que achou que eu poderia morrer, eu não faço idéia até hoje do que passou na cabeça dela naquele dia, mas imagino que não é fácil acreditar que seu filho não vai durar muito.

 O que importa é que nesse dia comemos e tomei um chopp, foi diferente, interessante eu diria. Bem, quando cheguei em casa eu chorei, chorei por não aceitar que estava ruim, estava passando por uma situação que não desejo a ninguém e a pessoa que supostamente teria uma saída disse que eu não ia ficar vivo; o documento que tive que assinar é tipo um “ESTOU CIENTE DE QUE POSSO MORRER.” então não era algo muito animador.

Na época eu namorava, eu tinha amigos, família e mesmo assim me sentia sozinho no mundo, sabia que ninguém que estava a minha volta entendia NADA do que eu estava passando, nem poderiam, não julgo ninguém por isso.

 Eu não conseguiria definir o que eu sentia, nem colocar o que passava pela minha cabeça eu acho. Me lembro que depois que o médico falou aquelas coisas me lembrei de uma amiga chamada IRENE, que recentemente tinha falecido, teve leucemia. Ela foi comigo no hospital uma vez, na consulta, lembro-me que era uma médica nova e quando entramos na sala a médica começou a falar com ela e ela respondeu: O DOENTE AQUI É ELE. Hahahaha, foi engraçado, ela estava de máscara, careca, magrinha, foi bem engraçado a brincadeira dela em meio a toda a dificuldade que vinha enfrentando. Eu estava me entregando e lembrando disso eu me animei, era possível que o Dr. Wellington pudesse conseguir trocar o meu fígado e me manter vivo, ele parecia confiante; então relaxei, fiquei 100% calmo e parei de pensar nisso, nem pensava mais na possibilidade de não ficar vivo.

 Nessa época eu já queria o quanto antes ser chamado para fazer o transplante, sabia que quando fizesse eu ia conseguir respirar tranquilamente, na verdade esse era meu maior anseio, queria ficar livre de todo sofrimento, de toda a dificuldade que estava passando;

 Fui me afastando das pessoas com o tempo, quando comecei a fazer o tratamento com o interferon comecei a sentir vergonha por que comecei a ficar horrível (como se fosse lindo né? rs), mas fiquei pior que o normal. Já não queria ver ninguém, porém nesses dias eu fui para o litoral, na casa do Ricardo, na verdade fomos ao McDonalds, eu ia passar o fim de semana lá, porém esqueci o remédio e tive que voltar pra casa de madrugada, fui sozinho e na volta pra casa recebi uma ligação da Val e ela disse: “Léo? Tudo bem?” eu respondi e ela disse:”Teu fígado está aqui, você tem duas horas para chegar ao hospital.”

Eu nem conseguia acreditar, tem como dizer nessas horas que Deus não existe? Eu “ESQUECI” o remédio e voltando pra casa recebo a ligação, coincidência? Eu não acredito que tenha sido. Hoje em dia uma vez ou outra atraso o remédio, mas nessa época eu não deixava o remédio para trás por nada. Passei na casa da Estela M. Barbosa, minha namorada nessa época e fomos para minha casa, bati na porta do quarto da minha mãe, era pouco antes das cinco da manhã e quando ela abriu, assustada já achando que eu não estava bem eu disse: “Mãe, meu fígado chegou.”

Nota: Acredite, a esperança para você, sempre, sempre tem uma saída, não sei qual o tamanho do seu problema; quando fiquei doente ganhei um livro chamado DERRUBANDO GOLIAS, nele fala de Davi e Golias óbvio, a parte que mais me chama a atenção é quando o autor diz q Davi Davi não viu o tamanho do problema e sim o Deus que era maior do que o problema e por isso não teve medo ao enfrentar o gigante. Não foque na dificuldade e sim na solução dela.

 

Text 14 Apr Contato

Caso queira falar comigo, eis meu email: leonardo_asprino@hotmail.com que também é o msn,

meu perfil do facebook: http://www.facebook.com/leonardo.asprino


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